11.10.02
Para uma bibliotecária
Sua vida
São livros descansando em estantes
Eu queria é derrubá-los, tirá-los do sono, das traças
Mudar as capas, subverter a tipografia
Bagunçar o catálogo, incendiar os índices
Escrever novamente a história
Novos fatos, inusitadas teorias
Que teriam que ser novamente e sistematicamente
Organizadas
Para que eu fizesse sentido
Na sua vida...
Bsb, 17/05/99
MICRÔMEGAS (permisso, Voltaire)
De pequenas sementes surgem edifícios
de madeira
e de gotículas em sprays d'água,
a corredeira
De pequenos frascos, saem aromas
e a matança
e com sutis olhares e gestos:
- A noite é uma criança!
De cultivadas ferrugens,
quebram-se jaulas e elos
E com pequeninas tentações,
alguém me disse,
derrubam-se castelos...
24.06.99
23.06.99
SÍNDROME DE TAMAGOCHI
Por que não me apertas, all day
se te olho da tela de aquário
ansiando um alimento, binário
Em apertadas e idéias, me viciei...
E se me penduro como virtual fantoche
em telemáticas linhas, em nylon de rede
E comigo brincas, sem matar minha sede
Do seu apertar me tornei um Tamagochi!
CAIA POR CIMA DE MIM
Enfim, fui desprogramado
todos os binários foram invertidos
os arquétipos viraram artigos de olaria
Estão agora expostos, marfim fraturado
Tarantulo tempestades, traços tremidos
Animando semente a ser lançada na pradaria
É, minha cara, é rara sua visão agronômica
Há solos que nos dizem muito pouco
e a fome do nascer acaba por se dissipar...
E há seres em carreira solo, tragicômica
Incompletos, cheios de ranhuras, paredes sem rebôco
Sou um deles então
caia
por cima
de mim
quando
quiser
se semear
16.06.99
Enfim, fui desprogramado
todos os binários foram invertidos
os arquétipos viraram artigos de olaria
Estão agora expostos, marfim fraturado
Tarantulo tempestades, traços tremidos
Animando semente a ser lançada na pradaria
É, minha cara, é rara sua visão agronômica
Há solos que nos dizem muito pouco
e a fome do nascer acaba por se dissipar...
E há seres em carreira solo, tragicômica
Incompletos, cheios de ranhuras, paredes sem rebôco
Sou um deles então
caia
por cima
de mim
quando
quiser
se semear
16.06.99
SOBRE ÓLEOS
Tem dias que me sinto enterrado
em paredes, micros, horas, cadeiras
E apesar de estar vitrificado
cresço como o fazem as videiras
Eventualmente, um mar traiçoeiro
de invejas, ciúmes, mesquinharia
Faz de mim um pobre estrangeiro
Perco a língua, não há moradia
Às vezes o ar fica rarefeito,
o respirar não é puro instinto
Roxo assim, penso um jeito
de expulsar o ruim que sinto
Raramente, sinto-me arder
em incêndios de paixões delirantes
Mas quando não espero acontecer
Me consomem azeites escaldantes
17.06.99
IMPOSTO
Nada foi exigido ou foi imposto
Quem vive na cobrança, nunca ama
Tributos pagarei sem contra-gosto
Entrego-te o coração como Derrama
PARA UMA GATA NO MEU TELHADO DIGITAL
Numa pesquisa, binária, digital,
Achei pegadas ousadas de uma gata
De imediato, sobressalto, sofri um confisco...
Meu pensamento me trouxe afinal
Para perto de quem tão bem se retrata
- A curiosidade matou o gato! E daí? Me arrisco!
NOTURNOS
Quando fechaste os olhos
Me teletransportei...
Te beijei!
28.06.99
Nada
Nem poesia de Djavan
nem a foto do mar que vejo
Aplacam a sede instalada
Que sinto toda manhã
Se não navego no teu beijo
Tudo
Faria, sem arrependimento
Apaixonado, louco, comovido
Cometeria suaves absurdos
Para viver o exato momento:
Direi - Te amo!, em seu ouvido
15.06.99
10.10.02
MÚSICA VIDA MÚSICA DE ASSIS
A todo momento
Inicia-se nova melodia
Saída de unhas moldadas
No afago de aços esticados
Sibilos pinçados rasgam o ar
A todo momento
Cala-se alguma harmonia
No contraponto, cortinas fechadas
E acordes inusitados
Viram pausas, sem retornar
Tem a vida esse movimento
E alguns tiveram a sabedoria
De brincar com folhas pautadas
E palhetear em mil trinados
Deixando a alma ecoar
Mas tem sua hora o movimento
E o gran-finale chega um dia
Mas o esperto preparou as viradas:
Compôs sétimos-maiores-encarnados
E atraiu seu próprio continuar...
Eric Germano – 25.07.2000
7.10.02
UM DIA, DIREI-TE ADEUS
Soube tudo da tua beleza:
cada centímetro linear e cúbico
cada cheiro exalado e mágico
cada sussurro e cada grito
cada sabor de doce e ácido
cada olhar de adeus oblíquo
E eu ingênuo e lento
perdi todo o raciocínio
e vivo o tormento cálido
no mau hálito do improviso
arrancando os pentelhos
da orelha de um livro
que me deixa mais esquálido
quanto mais é lido
Nessa página, sem a pena
Peno como um varrido
Doidivanas do planalto
Procurando o perdido
Levo a vida é na valsa
Apartado da beleza
apalpada, cheirada,
ouvida, devorada
Só o adeus é meu abrigo...
2.10.02
VINDAS E VOLTAS
Venha quando puderes,
venha se quiseres!
Fique se puderes...
Fique se quiseres!
Fique, se tiveres que voltar!
Volte se tiveres que voltar...
Volte se quiseres!
Volte, querendo ficar.
Volte a ficar (comigo)
Fique sem voltar
Queira-me se puderes
Fixe-se se quiseres
Mas não voltes atrás!
Eric Germano 26-09-02
Venha quando puderes,
venha se quiseres!
Fique se puderes...
Fique se quiseres!
Fique, se tiveres que voltar!
Volte se tiveres que voltar...
Volte se quiseres!
Volte, querendo ficar.
Volte a ficar (comigo)
Fique sem voltar
Queira-me se puderes
Fixe-se se quiseres
Mas não voltes atrás!
Eric Germano 26-09-02
1.10.02
A COR DA INSPIRAÇÃO
Mutante acorde
Que serpenteia nos tímpanos
E acorda mosaicos de janelas
cortando montanhas de decotes
Onde correm rios de cerveja
Juntos com Hendrix, e por todos eles
Douradas cordas que nos segurem
Pois as ondas nos levam
E trazem os amigos,
E a concordância, no fim
De que todos alí,
Naquele bar, etilizados
E enfim acordados
Viram cores inexplicáveis
que reviram indomáveis sentimentos
Derramadas, em oferta
Como gole de aguardente
Deixada para o Santo
Eric Germano 09/07/2002