20.2.26

 

Da Visita

Não te visito na sua casa nova
Pois a antiga ainda mora em mim
Nela, a lua cheia ainda invade a janela
O galgo esculpido quer passear
Nos jardins emoldurados na TV
Os cacos de um copo ovalado
Ainda se escondem em frestas do piso
Seu reflexo no espelho
Me escaneia se me pega mirando
A máscara peruana ainda tem
Meus cabelos na boca
O tecido do sofá ainda me acolhe
Só com as partes de baixo
A prateleira alta do armário
Guarda a reserva de roupa
Meus tênis quedam-se inertes
No cantinho permitido
Lá fora, meu carro dorme
No sereno, sem medo do mundo
E dentro, meus sonhos
São roteiros de love stories

Não te visito na sua casa nova
Pois a antiga ainda mora em mim

Brasília, DF, 06/02/2026

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